Ponto de equilíbrio do consultório: quanto faturar e quantos pacientes atender
Todo dentista sabe quanto faturou no mês. Poucos sabem quanto precisavam faturar para não perder dinheiro. Essa linha tem nome, ponto de equilíbrio, e é a conta mais útil para decidir quase tudo no consultório: se dá para contratar, se a agenda está boa, se o preço está certo. Este guia mostra como calcular em quatro passos, com um exemplo completo, e como transformar o resultado em número de pacientes por semana.
O que é o ponto de equilíbrio
É o faturamento em que a clínica cobre todos os custos e ainda não tem lucro nem prejuízo. Abaixo dele, o mês fecha no vermelho. Acima, cada real a mais começa a sobrar.
A conta usa duas informações: os custos fixos do mês e quanto sobra de cada real faturado depois dos custos que variam com o atendimento, a chamada margem de contribuição.
Passo 1: some os custos fixos
São os custos que existem mesmo que nenhum paciente apareça. Inclua o seu pró-labore: se você não se paga, o consultório parece mais saudável do que é.
| Custo fixo | Valor por mês |
|---|---|
| Aluguel e condomínio | R$ 3.200 |
| Secretária com encargos | R$ 2.900 |
| Água, luz, internet e telefone | R$ 650 |
| Contador, sistema e coleta de resíduos | R$ 900 |
| Manutenção e depreciação dos equipamentos | R$ 800 |
| Pró-labore da dentista | R$ 8.000 |
| Total | R$ 16.450 |
Passo 2: calcule a margem de contribuição
Custos variáveis são os que só existem quando há atendimento: material, laboratório, taxa de cartão e imposto sobre o faturamento. Some quanto eles representam, em porcentagem do faturamento.
Passo 3: divida um pelo outro
Ponto de equilíbrio = custos fixos ÷ margem de contribuição.
No exemplo: R$ 16.450 ÷ 0,70 = R$ 23.500. Esse consultório precisa faturar R$ 23.500 por mês só para empatar, com a dentista recebendo o pró-labore dela.
Passo 4: transforme em pacientes
Faturamento é abstrato. Paciente na agenda é concreto. Divida o ponto de equilíbrio pelo valor médio que cada atendimento gera, o ticket médio.
| Ticket médio por atendimento | Atendimentos por mês | Por semana | Por dia (5 dias) |
|---|---|---|---|
| R$ 250 | 94 | cerca de 22 | cerca de 4,5 |
| R$ 350 | 67 | cerca de 16 | cerca de 3,2 |
| R$ 500 | 47 | cerca de 11 | cerca de 2,2 |
A tabela mostra por que ticket médio importa tanto. Com R$ 250 por atendimento, a dentista precisa de quase cinco pacientes por dia só para empatar. Com R$ 500, de pouco mais de dois. Veja como acompanhar esse número em indicadores de gestão.
O que fazer com o resultado
O ponto de equilíbrio serve para tomar decisões com número na mão:
- Contratar: um custo fixo novo de R$ 3.000 sobe o ponto de equilíbrio em R$ 3.000 ÷ 0,70, cerca de R$ 4.300 de faturamento a mais por mês
- Reajustar preço: subir o ticket médio derruba o número de pacientes necessários
- Mudar a taxa de cartão: cada ponto percentual a menos nos variáveis aumenta a margem
- Aceitar convênio: se o valor pago por procedimento for baixo, o ticket cai e o número de pacientes necessários sobe
Refaça a conta a cada seis meses ou sempre que um custo fixo mudar. Para descobrir o preço certo de cada procedimento a partir desses custos, veja como precificar procedimentos odontológicos.
Perguntas frequentes
Como calcular o ponto de equilíbrio do consultório odontológico?
Some os custos fixos do mês, incluindo o seu pró-labore, e divida pela margem de contribuição, que é 100% menos a porcentagem dos custos variáveis (material, laboratório, taxas e imposto).
Quantos pacientes um dentista precisa atender por mês?
Depende dos custos e do ticket médio. Divida o ponto de equilíbrio pelo valor médio de cada atendimento: com custos de R$ 16.450 e ticket de R$ 350, por exemplo, são cerca de 67 atendimentos por mês só para empatar.
O pró-labore entra como custo fixo?
Deve entrar. Sem ele, o ponto de equilíbrio mostra quanto o consultório precisa para se pagar, mas não para pagar você.
