Anamnese odontológica: as perguntas e um modelo de ficha
A anamnese é a primeira parte do prontuário e a que mais evita surpresa na cadeira. Um paciente que usa anticoagulante, uma alergia a anestésico, uma gestação que ninguém perguntou: tudo isso muda o tratamento. Veja as perguntas que não podem faltar, organizadas por bloco, e como transformar a anamnese numa rotina que a equipe consegue manter.
Para que serve a anamnese
Ela reúne a história de saúde do paciente antes do exame clínico. Serve para três coisas: planejar o tratamento com segurança, identificar quem precisa de cuidado especial (ou de conversa com o médico) e documentar o que o paciente informou. Por isso ela faz parte do prontuário, como explicamos em o que deve conter o prontuário odontológico.
As perguntas, bloco por bloco
Organize a ficha em blocos. Fica mais fácil para o paciente responder e para você achar a informação depois.
| Bloco | Perguntas |
|---|---|
| Queixa principal | O que trouxe você aqui hoje? Há quanto tempo? Sente dor? Em que momento? |
| Saúde geral | Está em tratamento médico? Tem diabetes, hipertensão, problema cardíaco, renal, hepático ou de coagulação? |
| Medicamentos | Usa algum remédio contínuo? Qual e em que dose? Usa anticoagulante, bifosfonato ou corticoide? |
| Alergias | Tem alergia a algum medicamento, anestésico, látex ou material? |
| Histórico | Já fez cirurgia? Já teve reação a anestesia? Já foi internado? |
| Condições especiais | Está grávida ou amamentando? Tem marcapasso ou prótese articular? |
| Hábitos | Fuma? Com que frequência consome álcool? Range ou aperta os dentes? |
| Histórico odontológico | Quando foi ao dentista pela última vez? Teve alguma experiência ruim? Sente sensibilidade ou sangramento na gengiva? |
Pergunte de um jeito que o paciente entende
Muita informação se perde porque o paciente não entende a pergunta. “Tem discrasia sanguínea?” vira um “não” automático. “Você costuma sangrar muito quando se corta?” traz a resposta certa.
Prefira perguntas fechadas (sim ou não) para triagem, seguidas de um campo aberto para detalhar quando a resposta for sim.
Ficha preenchida pelo paciente ou entrevista?
Os dois juntos funcionam melhor. O paciente preenche a ficha antes da consulta, com calma, e o dentista revisa as respostas com ele na cadeira, aprofundando o que chamou atenção. A revisão é importante: pacientes esquecem remédios, minimizam hábitos e não sabem que uma condição é relevante para o dentista.
- Envie a ficha antes da primeira consulta, quando possível
- Revise cada “sim” com o paciente
- Anote no prontuário o que foi conversado
- Peça a assinatura do paciente, declarando que as informações são verdadeiras
Sinais que pedem conversa com o médico
A anamnese não serve só para registrar: serve para decidir. Algumas respostas pedem contato com o médico do paciente antes de procedimentos invasivos, como uso de anticoagulante, diabetes descompensado, problemas cardíacos recentes e uso de medicamentos que afetam o osso. Registre a decisão e o contato no prontuário.
Atualize a cada retorno
A saúde do paciente muda. Um remédio novo, uma gravidez, uma cirurgia. Uma anamnese de dois anos atrás pode estar perigosamente desatualizada.
- Pergunte em todo retorno: “Mudou alguma coisa na sua saúde ou nos seus remédios?”
- Refaça a anamnese completa periodicamente e antes de procedimentos cirúrgicos
- Registre a data de cada atualização
O retorno de revisão é o momento natural para isso. Se seus pacientes não voltam com regularidade, veja como montar um recall.
Dado de saúde pede cuidado
A anamnese é dado pessoal sensível pela LGPD. Ficha em papel deve ficar em lugar fechado; ficha digital, em sistema com acesso controlado. Nada de foto da ficha no WhatsApp pessoal. Explicamos tudo em LGPD no consultório odontológico.
Perguntas frequentes
A anamnese precisa ser assinada pelo paciente?
É recomendável. A assinatura registra que as informações foram dadas pelo próprio paciente (ou responsável) e que ele declara serem verdadeiras.
Posso usar a mesma ficha de anamnese para HOF?
A base é a mesma, mas a harmonização orofacial pede perguntas próprias, como procedimentos estéticos anteriores, uso de preenchedores e histórico de reações. Acrescente um bloco específico.
Este artigo é informativo. Adapte a ficha à sua prática e às orientações do seu CRO.
