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Dentista pode cobrar quando o paciente falta? O que a lei permite

Equipe Cliniu · Atualizado em · 4 min de leitura

O paciente marca, não aparece, não avisa, e a hora de cadeira fica vazia. Na terceira vez, a vontade é cobrar. Pode? Não existe uma lei que proíba nem uma que autorize expressamente a taxa de falta em consultório. O que existe são as regras do Código de Defesa do Consumidor, que exigem informação prévia e proporcionalidade. Este guia mostra quando a cobrança tende a ser aceita, como escrever a política, um exemplo de texto e as alternativas que costumam funcionar melhor que a multa.

Despertador analógico redondo preto e branco
Foto: Unsplash

O que pesa na decisão

O paciente é consumidor, e o Código de Defesa do Consumidor proíbe cláusulas que deixem uma das partes em desvantagem exagerada e cobranças que o consumidor não conhecia. Daí saem as três condições que costumam tornar uma taxa de falta defensável:

  • Foi informada antes, por escrito, e o paciente concordou
  • Há um prazo razoável para cancelar sem custo
  • O valor é proporcional ao prejuízo, e não uma punição

Sem essas três, a cobrança vira motivo de reclamação no Procon ou de avaliação negativa, e o paciente provavelmente não volta. O custo da taxa pode ser maior que o da falta.

Como escrever a política de cancelamento

A regra precisa estar num lugar que o paciente leia e aceite antes de marcar: o contrato de tratamento, o termo assinado na primeira consulta ou a mensagem de confirmação do agendamento.

Inclua a regra no contrato de prestação de serviços odontológicos e repita na mensagem de confirmação. Paciente que foi avisado duas vezes raramente contesta.

Quanto cobrar

O valor deve ter relação com o prejuízo, não com o preço do procedimento. Uma referência possível é uma parte do custo da hora clínica, não o valor da sessão.

Formatos de taxa de falta e como costumam ser percebidos (ilustrativo).
FormatoExemploComo costuma ser percebido
Valor da sessão inteiraR$ 400 por uma restauração não feitaDesproporcional: o paciente não recebeu o serviço
Taxa fixa de reservaR$ 80, independente do procedimentoMais aceitável, se informada antes
Taxa que vira créditoR$ 80 abatidos na próxima sessãoA forma mais bem recebida
Sinal no agendamentoR$ 100 pagos para reservar sessões longasComum em procedimentos de várias horas

Quando não cobrar

Mesmo com a regra escrita, há situações em que a cobrança não faz sentido:

  • Emergência de saúde ou situação comprovada fora do controle do paciente
  • Atraso da clínica no dia anterior, ou horário remarcado pela clínica
  • Paciente que nunca recebeu o lembrete ou a política
  • Primeira falta de um paciente antigo e assíduo

Bom senso protege a relação. A taxa é para o paciente que falta por hábito, não para quem teve um imprevisto.

O que funciona melhor que a multa

Na maioria dos consultórios, a taxa de falta é a última ferramenta, não a primeira. As faltas caem mais com prevenção:

  • Lembrete na véspera, com botão para confirmar ou remarcar
  • Ligação para quem não respondeu ao lembrete
  • Lista de espera para encaixar quem quer antecipar
  • Sinal para sessões longas, como cirurgias e reabilitações
  • Conversa direta com o paciente que faltou duas vezes

Veja o roteiro completo em como reduzir faltas no consultório e as mensagens prontas para quem faltou em mensagem para paciente que faltou.

Perguntas frequentes

É legal cobrar taxa de falta no consultório odontológico?

Não há lei específica que proíba ou autorize. A cobrança tende a ser aceita quando foi informada antes, por escrito, com prazo para cancelar sem custo e valor proporcional. Em caso de dúvida, consulte um advogado.

Posso cobrar o valor da consulta inteira se o paciente faltar?

Cobrar o valor inteiro de um serviço não prestado costuma ser visto como desproporcional. Uma taxa fixa de reserva, informada antes, é mais defensável e mais bem recebida.

Com quanta antecedência o paciente deve cancelar?

Não há prazo fixado em lei. Muitos consultórios usam 24 horas, que dá tempo de oferecer o horário a outro paciente. O importante é que o prazo esteja escrito e seja conhecido.

Este artigo é informativo e não substitui orientação jurídica. Antes de incluir uma taxa de falta no contrato, revise o texto com um advogado.

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