Sociedade entre dentistas: como montar, dividir e sair bem
Dois dentistas amigos dividem o aluguel, a secretária e o equipamento. Faz todo sentido no começo. Três anos depois, um atende o dobro do outro, a divisão meio a meio parece injusta, e ninguém escreveu o que acontece com os pacientes se alguém sair. Sociedade que termina em briga quase sempre começou sem regra. Este guia mostra os modelos de divisão, um exemplo numérico e o que precisa estar no acordo de sócios antes de assinar.
Sociedade ou rateio de custos
Antes de tudo, decida se é mesmo uma sociedade. Há dois arranjos bem diferentes:
| Sociedade | Rateio de custos | |
|---|---|---|
| CNPJ | Uma empresa, com os dois como sócios | Cada um atende como autônomo ou com a própria empresa |
| Faturamento | Entra na empresa e é dividido conforme o combinado | Cada um fatura o que atende |
| Custos | Pagos pela empresa | Divididos por uma regra, como metade ou por horas de uso |
| Risco | Compartilhado: dívida da empresa é dos dois | Cada um responde pelo seu atendimento |
| Saída | Exige alteração do contrato social e apuração de haveres | Basta encerrar o rateio com aviso prévio |
Rateio é mais simples e funciona bem para quem só quer dividir estrutura. Sociedade faz sentido quando há investimento conjunto, marca única e plano de crescer juntos.
Como dividir o resultado
Na sociedade, há três jeitos comuns de dividir o lucro:
- Pelas quotas: cada sócio recebe na proporção do capital que investiu
- Pela produção: cada um recebe na proporção do que faturou, depois de pagar os custos comuns
- Misto: uma parte pelas quotas (remunera o investimento) e outra pela produção (remunera o trabalho)
Pró-labore e distribuição
Cada sócio que trabalha na clínica recebe um pró-labore, com INSS, e o restante do lucro sai como distribuição. No Simples Nacional, o pró-labore dos sócios entra na conta do fator R, que decide o anexo e o imposto da clínica. Defina os valores com o contador. Veja como funciona em pró-labore do dentista.
O que pôr no acordo de sócios
O contrato social registra a empresa. O acordo de sócios registra as regras do dia a dia e da saída. É nele que mora a paz da sociedade:
- Como o lucro é dividido e quando é pago
- Quem decide o quê: compras, contratações, preços, investimentos
- Horários e uso das cadeiras de cada sócio
- Como entra um sócio novo
- O que acontece se um sócio quiser sair, adoecer ou falecer
- Como o valor da parte de quem sai é calculado e pago
- Regra sobre atender por conta própria fora da clínica
De quem é o paciente
É a pergunta que mais gera briga na saída. O paciente escolhe com quem se tratar, e o prontuário pertence ao paciente, guardado por quem o atendeu ou pela clínica, conforme as normas do CFO. O que a sociedade pode combinar é o que acontece com a lista de contatos, a marca e a comunicação na saída.
Combine também como o paciente em tratamento é atendido durante a transição, para que ninguém fique com um caso pela metade. As regras do prontuário odontológico valem para os dois lados.
Registro no CRO e responsável técnico
A clínica com CNPJ que presta serviço odontológico precisa ser registrada no CRO e ter um responsável técnico. Defina qual sócio assume essa função e o que acontece se ele sair. Veja os demais passos em como abrir consultório odontológico.
Perguntas frequentes
Como dividir o lucro entre sócios dentistas?
Pelas quotas, pela produção de cada um ou num modelo misto. O importante é que a regra esteja escrita no acordo de sócios antes do primeiro mês.
Precisa de contrato para dividir consultório?
Precisa. Mesmo num simples rateio de custos, um contrato com a divisão, o uso dos horários e o aviso prévio para sair evita a maior parte dos conflitos.
O sócio que sai pode levar os pacientes?
O paciente escolhe com quem continuar. O acordo de sócios pode regular a lista de contatos, a marca e a comunicação na saída, dentro das regras do código de ética e da LGPD.
Este artigo é informativo. O contrato social e o acordo de sócios devem ser feitos com advogado e contador, considerando o caso de cada sociedade.
