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Pró-labore do dentista: quanto retirar e como funciona

Equipe Cliniu · Atualizado em · 3 min de leitura

Quando o dentista abre a empresa, o dinheiro do consultório deixa de ser dele automaticamente. Para tirar, existem dois caminhos com impostos diferentes: o pró-labore e a distribuição de lucros. Combinar os dois do jeito certo pode reduzir bastante o imposto da clínica. Veja como funciona, com um exemplo.

Celular, caneta e documentos financeiros sobre a mesa
Foto: Unsplash

Pró-labore e lucro não são a mesma coisa

O pró-labore é a remuneração pelo trabalho do sócio, como um salário. A distribuição de lucros é a parte do resultado da empresa que vai para os sócios depois de pagas todas as despesas e impostos.

Comparação entre pró-labore e distribuição de lucros.
Pró-laboreDistribuição de lucros
O que éPagamento pelo trabalho do sócioParte do resultado da empresa
É obrigatório?Sim, para o sócio que trabalha na empresaNão, depende de haver lucro
INSSDesconto de 11% do sócio, até o tetoNão há
Imposto de rendaTabela progressiva, como salárioIsento na maior parte dos casos (ver abaixo)
ValorFixo, definido pelos sóciosVaria com o resultado

Por que o pró-labore é obrigatório

O sócio que trabalha na empresa precisa ter pró-labore, e sobre ele há contribuição ao INSS. É também o que garante a aposentadoria e os benefícios previdenciários do dentista. Retirar tudo como lucro, com pró-labore zero, é irregular e pode gerar cobrança da Receita.

O pró-labore e o fator R

No Simples Nacional, serviço odontológico pode pagar pelo Anexo III ou pelo Anexo V, e a diferença de alíquota é grande. Quem decide é o fator R: a folha de pagamento dos últimos 12 meses, incluindo o pró-labore, dividida pelo faturamento do mesmo período. Com 28% ou mais, a empresa fica no Anexo III, mais barato.

Por isso o pró-labore não é só retirada: é uma alavanca do imposto da clínica. Explicamos o fator R no artigo sobre regime tributário para dentista.

A distribuição de lucros

O que sobra depois de despesas, impostos e pró-labore pode ser distribuído como lucro. Para ser isento, o lucro precisa estar registrado na contabilidade; retirar mais do que a empresa lucrou transforma a diferença em rendimento tributável.

A partir de 2026, a lei que alterou o imposto de renda passou a reter 10% na fonte sobre lucros acima de R$ 50 mil por mês pagos por uma mesma empresa à mesma pessoa. Para a maior parte dos consultórios isso não muda nada, mas vale confirmar com o contador se a sua retirada passa desse valor.

Quanto retirar: uma ordem que funciona

  1. Defina o pró-labore com o contador, considerando o fator R
  2. Pague todas as despesas e impostos do mês
  3. Separe uma reserva para meses fracos e despesas anuais
  4. Distribua como lucro apenas o que sobrou, com registro na contabilidade
  5. Nunca pague contas pessoais direto da conta da clínica

Misturar a conta da clínica com a pessoal é o erro que mais atrapalha o controle financeiro do consultório. Com as contas separadas, o fluxo de caixa mostra de verdade quanto a clínica rende.

Perguntas frequentes

Qual o valor mínimo de pró-labore?

A referência costuma ser o salário mínimo, mas, no Simples, o valor ideal é o que equilibra o fator R. O contador calcula com o seu faturamento e a sua folha.

Posso retirar lucro todo mês?

Pode, desde que a contabilidade comprove que houve lucro no período. Retiradas acima do lucro apurado podem ser tributadas como rendimento.

Este artigo é informativo e não substitui a orientação de um contador. Alíquotas, limites e regras do imposto de renda mudam com a legislação.

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