Como abrir um consultório odontológico
Abrir consultório é metade odontologia e metade papelada. A parte clínica você já sabe fazer. Este guia organiza a outra metade: o que registrar, que licença pedir, o que comprar primeiro e que rotina deixar pronta antes do primeiro paciente sentar na cadeira.
1. Decida como vai atender: pessoa física ou CNPJ
Dá para começar atendendo como pessoa física, com o registro no CRO e a inscrição como autônomo na prefeitura. Dá também para abrir uma empresa desde o início. A escolha muda o imposto que você paga, a nota que você emite e até a facilidade de conseguir convênio e crédito.
Não existe resposta única: depende do faturamento esperado e de ter ou não funcionário. Leve os números ao contador antes de assinar o aluguel. Explicamos as opções em detalhe no artigo sobre regime tributário para dentista.
2. Registros e licenças
A lista exata muda por cidade e por estado, mas estes são os itens que quase todo consultório precisa. Vale ligar na prefeitura e na vigilância sanitária antes de reformar a sala, porque algumas exigências mexem na planta.
- Inscrição da clínica no CRO, com um cirurgião-dentista como responsável técnico, quando houver CNPJ
- Alvará de funcionamento da prefeitura
- Licença da vigilância sanitária, que costuma vistoriar a sala antes de liberar
- Licença específica para o aparelho de raio-x, se houver um, seguindo as regras da Anvisa para radiologia
- Plano de gerenciamento de resíduos de serviço de saúde e contrato com empresa de coleta
- Vistoria do Corpo de Bombeiros, conforme o tamanho e a cidade
3. Estrutura: o mínimo que funciona
O erro mais comum é gastar tudo na sala clínica e esquecer o resto. Recepção, área de esterilização separada e um lugar para guardar material fazem parte da vistoria e do dia a dia. Equipamento caro pode esperar o consultório pagar as contas; esterilização e biossegurança não podem.
4. Faça a conta antes de abrir
Some aluguel, condomínio, contador, coleta de resíduos, internet, sistema, material e o seu próprio pró-labore. Esse é o custo fixo do mês. Dividido pelas horas que você vai atender de verdade, ele mostra quanto custa cada hora de cadeira, e esse número é a base do preço de todo procedimento, como mostramos em como precificar procedimentos.
5. Deixe a rotina pronta antes do primeiro paciente
Consultório novo costuma se organizar no improviso: agenda no caderno, ficha no papel, pagamento anotado no celular. Três meses depois, ninguém sabe quem deve o quê. Montar a rotina no primeiro dia sai muito mais barato do que migrar depois.
- Agenda organizada, com confirmação na véspera
- Ficha do paciente com anamnese e odontograma
- Orçamento por escrito, aprovado pelo paciente
- Registro de cada pagamento, para saber quem está devendo
Este artigo é informativo. Exigências de registro e licença mudam por município e estado: confirme com o CRO, a prefeitura, a vigilância sanitária e o seu contador.
