Convênio odontológico vale a pena para o dentista?
Convênio enche a agenda, e essa é a parte boa. A parte difícil é que ele paga menos por procedimento, demora para pagar e às vezes não paga tudo. Se vale a pena depende de uma conta que muito dentista nunca fez: quanto custa a sua hora de cadeira comparado com quanto o convênio paga por ela.
Como funciona o credenciamento
O dentista ou a clínica se credencia à operadora do plano odontológico e passa a atender os beneficiários dela. A operadora define uma tabela com o valor de cada procedimento, as regras de autorização e o prazo de pagamento. Em geral, o profissional envia a produção do mês, a operadora confere e paga semanas depois.
Os planos odontológicos são regulados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que define a cobertura mínima dos planos. As condições do contrato entre a operadora e o dentista, no entanto, variam bastante: leia antes de assinar.
Vantagens e desvantagens
| A favor | Contra |
|---|---|
| Fluxo constante de pacientes, sem gastar com marketing | Valor por procedimento menor que o particular |
| Ajuda a preencher horários vagos de consultório novo | Pagamento semanas depois do atendimento |
| Porta de entrada para tratamentos fora da cobertura | Glosas: procedimentos recusados ou pagos a menos |
| Visibilidade na lista de credenciados da operadora | Burocracia de autorização, guias e envio da produção |
A conta que decide: convênio paga sua hora?
Antes de olhar a tabela da operadora, calcule o custo da sua hora clínica: custos fixos do mês divididos pelas horas efetivamente atendidas. Explicamos o cálculo no artigo sobre como precificar procedimentos.
Depois, para cada procedimento comum, compare o que o convênio paga com o custo de fazê-lo: tempo de cadeira mais material, mais o imposto sobre o valor recebido.
Quando o convênio costuma valer a pena
- Consultório novo, com muita hora vaga e custo fixo já comprometido
- Horários de menor procura que o particular não preenche
- Quando o convênio traz pacientes que depois fazem tratamentos particulares fora da cobertura
- Quando os procedimentos mais frequentes pagam acima do seu custo
Quando costuma não valer
- Agenda já cheia de particulares: cada horário de convênio toma o lugar de um que paga mais
- Glosas frequentes que você não consegue recorrer
- Tabela abaixo do custo nos procedimentos que você mais faz
- Quando o atraso no pagamento aperta o caixa todo mês
Se for credenciar, proteja-se
Algumas práticas reduzem o risco de o convênio virar prejuízo:
- Leia o contrato inteiro: prazo de pagamento, regras de glosa, reajuste da tabela e como se descredenciar
- Limite a quantidade de horários de convênio por dia
- Registre tudo no prontuário, com radiografias e fotos de antes e depois: é o que sustenta um recurso de glosa
- Confira todo pagamento contra a produção enviada
- Revise a cada seis meses se a conta ainda fecha
Glosa: o que é e como evitar
Glosa é quando a operadora recusa ou reduz o pagamento de um procedimento enviado. Os motivos mais comuns são falta de autorização prévia, documentação incompleta, código errado e prazo de envio perdido.
A maior parte das glosas se evita com rotina: autorizar antes de fazer, registrar a evolução no dia e guardar as imagens que comprovam o procedimento. Prontuário bem feito é a sua defesa, como explicamos em o que deve conter o prontuário.
Perguntas frequentes
Dá para atender convênio e particular no mesmo consultório?
Dá. O cuidado é reservar os melhores horários para os particulares e acompanhar se o convênio não está ocupando a agenda que pagaria mais. Veja também como atrair pacientes particulares.
Posso cobrar do paciente de convênio um procedimento fora da cobertura?
Procedimentos fora da cobertura do plano podem ser feitos como particulares, com orçamento à parte aprovado pelo paciente. Confira o que diz o contrato com a operadora antes.
Este artigo é informativo. Os valores do exemplo são ilustrativos; as condições reais dependem do contrato de cada operadora.
