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Termo de consentimento odontológico: como fazer o TCLE

Equipe Cliniu · Atualizado em · 4 min de leitura

O termo de consentimento livre e esclarecido, o TCLE, registra que o paciente entendeu o tratamento, os riscos e as alternativas, e concordou. Ele protege o dentista, mas só quando reflete uma conversa que de fato aconteceu. Um termo genérico, assinado às pressas na recepção, vale pouco. Veja como fazer um que vale.

Profissional de saúde fazendo anotações com o paciente sentado à frente
Foto: Unsplash

Por que o termo existe

O paciente tem direito a decidir sobre o próprio tratamento, e só decide de verdade quem foi informado. O Código de Ética Odontológica trata como infração deixar de esclarecer adequadamente os propósitos, riscos, custos e alternativas do tratamento. O Código de Defesa do Consumidor também garante o direito à informação clara sobre o serviço.

O TCLE é a prova escrita de que esse esclarecimento aconteceu. Em um questionamento, ele mostra que o paciente sabia, por exemplo, que um implante pode não integrar ou que um clareamento pode causar sensibilidade.

O que o termo deve conter

  • Identificação do paciente e, se menor ou incapaz, do responsável legal
  • Identificação do profissional, com número no CRO
  • Descrição do procedimento em linguagem que o paciente entende
  • Objetivo do tratamento e resultado esperado, sem promessa
  • Riscos e possíveis complicações, os comuns e os graves
  • Alternativas de tratamento, inclusive a de não tratar, e as consequências de cada uma
  • Cuidados que o paciente precisa ter antes e depois
  • Declaração de que o paciente teve espaço para perguntas e pode desistir
  • Data, local e assinaturas

Genérico não protege; específico protege

Um termo que diz “autorizo qualquer procedimento que o dentista julgar necessário” não informa nada, e por isso não prova consentimento. O termo precisa ser do procedimento que vai ser feito.

Diferença entre um trecho genérico e um trecho específico de termo de consentimento.
Genérico (fraco)Específico (forte)
“Fui informado dos riscos do tratamento.”“Fui informado de que, após a extração do dente 38, posso ter inchaço, dor, sangramento e, raramente, alteração temporária da sensibilidade do lábio.”
“Autorizo o tratamento proposto.”“Autorizo a instalação de implante na região do dente 46, conforme plano de tratamento de 21/10/2026.”
“Estou ciente das alternativas.”“Fui informado de que as alternativas são prótese fixa sobre dentes vizinhos ou prótese removível, com as vantagens e limitações de cada uma.”

A conversa vem antes da assinatura

O termo registra a conversa; não a substitui. Explique o procedimento na cadeira, mostre na radiografia ou no modelo, pergunte se ficou alguma dúvida e só então entregue o termo para leitura. Dê tempo para ler: se possível, entregue um dia antes de procedimentos maiores.

Anote no prontuário que a conversa aconteceu e o que foi explicado. Prontuário e termo juntos contam a mesma história, e essa é a melhor defesa. Veja o que deve conter o prontuário.

Quando usar

Todo procedimento envolve algum risco, mas o termo escrito é indispensável nos que têm risco maior, resultado estético ou custo alto:

  • Cirurgias, extrações de terceiros molares e implantes
  • Tratamento ortodôntico
  • Clareamento e procedimentos estéticos
  • Harmonização orofacial, como toxina botulínica e preenchedores
  • Tratamentos endodônticos e reabilitações extensas
  • Uso de imagem do paciente em divulgação, que pede autorização própria

Paciente menor de idade

Quem assina é o responsável legal. Ainda assim, explique ao paciente, na linguagem da idade dele, o que vai acontecer. Adolescentes entendem e colaboram mais quando são incluídos na conversa.

Erros que tiram o valor do termo

  • Pedir a assinatura na recepção, sem conversa com o dentista
  • Termo com letra miúda e termos técnicos que o paciente não entende
  • Assinar depois do procedimento
  • Usar o mesmo termo para procedimentos diferentes
  • Não guardar uma cópia junto ao prontuário

O termo não substitui o contrato de prestação de serviços: o contrato trata de valores e obrigações; o termo, de riscos e escolhas clínicas.

Perguntas frequentes

O termo de consentimento livra o dentista de responsabilidade?

Não. Ele mostra que o paciente foi informado e aceitou os riscos inerentes ao procedimento, mas não protege contra erro técnico ou negligência.

O termo pode ser assinado eletronicamente?

Pode, desde que seja possível comprovar quem assinou e quando. Guarde o documento assinado junto ao prontuário do paciente.

O paciente pode desistir depois de assinar?

Pode, a qualquer momento antes do procedimento. Registre a desistência no prontuário.

Este artigo é informativo e não substitui a orientação do seu CRO ou de um advogado. Adapte o termo a cada procedimento e às normas vigentes.

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